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Anette Ruas - Imprensa

JORNAL ZERO HORA
Porto Alegre, Sexta Feira, 20 de Maio de 2005

Caderno: Gastronomia
Título: Começa a Fenadoce
Fábio Schaffner

Das muitas etnias que colonizaram a Pelotas da Fenadoce, duas tiveram importância fundamental na construção dos hábitos alimentares da cidade. Enquanto os espanhóis salgavam a carne para produzir o charque que financiava a economia, os portugueses abusaram do açúcar na disseminação da cultura doceira entre a aristocracia rural. Anette Ruas provou da miscigenação gastronômica para tornar-se uma das mais conceituadas doceiras da Pelotas do século 21. Descendente de espanhóis, herdou da tia Nilza Ruas a habilidade para manusear claras, gemas, massas e confeitos.
-Minha tia aprendeu a fazer doces com a família do Genro, todos portugueses bons de cozinha. Aos poucos ela foi me passando os segredos dos doces pelotenses- conta Anette, 49 anos.
Apesar de dominar a arte da culinária açucarada, Anette só transformou o hobby em profissão há quatro anos, quando o marido, Renato, fechou a loja de artefatos em couro da família. Diante da necessidade de um novo ganha-pão, Anette pensou em criar peixes e rãs no sítio em que mora, na localidade do Passo do Salso. Acabou recorrendo as receitas da tia.
- Eu vendia de porta em porta. Não precisava nem falar nada, era só abrir a caixa e vendia tudo- conta, orgulhosa.
No primeiro ano, Anette participou de uma feira no município vizinho de Capão do Leão. O sucesso foi imediato e rendeu as primeiras encomendas. Com o telefone tocando sem parar e apenas dois braços a manusear camafeus, ninhos e bem-casados, Anette aumentou a cozinha e incrementou os negócios. Abriu uma confeitaria no centro, colocou a filha Cristiane a pilotar os fogões e levou o caçula Michel a trocar a faculdade de Publicidade pela de Administração de Empresas.
-Um dia eu estava cheia de serviço e tinha um rapaz pintando a casa. Chamei-o para me ajudar e até hoje trabalha comigo. É um doceiro de mão-cheia - comenta. Anette tem quatro funcionários fixos, vende doces para vários Estados e gera emprego até no presídio, onde os detentos fabricam as pás e bandejas de madeira. Durante a Fenadoce deve contratar outros 20 diaristas para dar conta da produção diária de 5 mil guloseimas. Será a segunda vez que a doceira terá um estande próprio na feira.
- O único problema é que agora ela parou de fazer tortas. Passa o dia envolvida com os doces e quando a gente quer tomar um chá com bolo, tem que encomendar- reclama, brincando, o marido Renato.

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